Entrevista com autora Carolina Matos

24/08/2009 por eduardoneco

Um dos livros de leitura obrigatória da disciplina de Jornalismo e Opinião Pública do meu curso foi o “Jornalismo e Política Democrática no Brasil”, de Carolina Matos, que é doutora em jornalismo político pela Universidade de Londres.

O livro de Carolina trata da cobertura política da imprensa nacional a partir das Diretas Já! e apresenta de forma quase científica a evolução desta cobertura até as últimas eleições presidenciais, em 2006.

Entrevista Carolina para a seção “Autor” do Portal IMPRENSA. Fiz seis perguntas e recebi como resposta uma aula particular de jornalismo e política. Li todo o livro, mas uma análise mais aprofundada da autora, conforme suas respostas mostraram, foi um privilégio que, até o momento, só eu tive acesso.

Como um repórter em formação, digo que uma entrevista como a de Carolina, por incrível que pareça, é um problemão danado, justamente pelo esmero de suas respostas e a profundidade de cada uma delas. Mesmo atuando em um veículo virtual, o qual, em tese ,possuí espaço ilimitado, é preciso editar a entrevista e colocá-la dentro de um texto que não ultrapasse o limite de paciência do leitor.

Sabendo disso eu lia e relia as respostas de Carolina e não achava uma linha sequer para cortar. Sem exagero nenhum, é um desespero quando a entrevista é boa e seu chefe sabe disso. Pois quando você recebe respostas medíocres, qualquer coisa que você fizer terá a impressão de um milagre sobre a terra.

Passei dois dias agoniado. Lia as respostas no trabalho e não chegava à conclusão nenhuma. Chegava em casa e repetia o processo, faltava da academia e deixava até de jantar para ficar com os olhos colados no PC.

No dia da publicação do texto, resolvi fazer tudo no susto. Depois de ter lido tudo inúmeras vezes, tinha na cabeça algo bem próximo do que a Carolina (simpaticíssima, aliás) queria dizer com tudo aquilo.

Sentei, bati o texto durante meu expediente (não posso parar para fazer exclusivamente um texto). Então, sem mais, o texto produzido a partir da leitura do livro “Jornalismo e Política Democrática no Brasil” e da entrevista com sua autora, Carolina Matos.

Livro de Carolina Matos examina as relações entre mídia e política no Brasil

Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA

Há pouco mais de vinte anos, a imprensa brasileira teve papel crucial na fomentação da nova democracia ao apoiar a campanha pelas Diretas Já! que levaria o povo às ruas pelo direito de eleger o presidente da república. Este momento histórico daria início à cobertura política no país, o que colocaria os jornalistas diante de um novo desafio: lidar com a recém conquistada liberdade de expressão e com a missão contribuir para a formação de uma visão política que deixasse de lado as opiniões dos donos dos grupos de mídia, cumprindo o preceito de informar de forma imparcial.

Divulgação
Capa do livro

O livro “Jornalismo e Política Democrática no Brasil” (Publifolha), de Carolina Matos, entrevistada desta semana da seção “Autor”, traz uma análise minuciosa justamente do comportamento da imprensa brasileira nos momentos mais importantes da construção da democracia. Desde os arrebatadores protestos em favor da aprovação da emenda Dante de Oliveira, até as eleições que levaram o líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva ao posto máximo da política nacional, o livro mostra os erros e acertos, além da evolução dos grandes veículos, durante estas duas décadas de democracia.

Na avaliação de Carolina Matos, que é doutora em jornalismo político pela Universidade de Londres, a imprensa “esta cobrindo a política melhor, de forma mais equilibrada e menos ideológica e histérica, embora ainda ha deficiências, como desequilíbrios provocados pelo preconceito contra grupos menos privilegiados; a necessidade de maior sofisticação e analise das noticias políticas e a sua inserção num contexto internacional”.

Os leitores um pouco mais atentos percebem que os primeiros capítulos do livro, que tratam do início do processo de abertura e democratização do país, colocam o jornal Folha de S.Paulo como um grande agente social neste quadro de mudanças. Carolina diz que chegou a esta conclusão depois da realização de sua pesquisa empírica que, de fato, mostra um tipo de cobertura da Folhamais agressiva que o resto da imprensa à época.

A autora projeta, abertamente, os jornais como o espaço em que, de fato, ocorrerem os grandes debates sobre temas políticos. Indagada sobre o papel, então, desempenhando pelos outros veículos na fomentação da opinião política, Carolina indica que existem boas coberturas por parte da TV e do rádio, por exemplo, mas, por serem meios de grande apelo popular, precisam “nivelar por baixo” para atingir a um público maior, o que acabaria por tirar do assunto a devida profundidade.

Sobre o comportamento da imprensa nas próximas eleições, Carolina faz uma avaliação positiva sublinhando que o amadurecimento da cobertura jornalística no país é mais que evidente. No entanto, deve-se atentar ao fato, indica a autora, que “a cobertura de 2010 não será totalmente isenta porque isso não existe”.

O “cara” é bobo?

23/08/2009 por eduardoneco

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou, há pouco mais de três anos, que seriam removidos da região fronteiriça do país os brasileiros que estivessem em situação ilegal, segundo determinação da Constituição boliviana. O prazo de remoção acaba em dezembro.

Um acordo bilateral foi feito com o Brasil para que se discutissem as condições da remoção e posterior assentamento dos quase 5 mil brasileiros que ocupam uma faixa de cinquenta quilômetros – localizada no distrito de Pando – ao longo da fronteira com os estados do Acre e Rondônia.

Em um encontro com Morales, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que ele olhasse “com carinho” a situação dos que serão removidos, informa a Folha Online.

Os “carentes” brasileiros enfrentam a seguinte situação: Não podem cruzar a fronteira, pois não teriam apoio do governo brasileiro para acomodação em seu próprio país de origem. A ajuda governamental acontece por meio do repasse de R$ 20 milhões a Organização Internacional para Migrações (OIM), entidade internacional que auxilia na realocação destas pessoas e tem como parâmetro o acordo feito entre o governo dos dois países, que determina aos colonos ilegais que migrem em direção ao interior da Bolívia, abandonando a faixa fronteiriça brasileira. Entretanto, nenhuma indenização será paga, nem ressarcimento pelas benfeitorias nas propriedades. Os R$ 20 milhões auxiliarão as famílias. Vale ressaltar, que algumas estão nessa região há mais de três décadas.

Nessa sinuca de bico, a bola oito da vez é o Brasil e o taco, por incrível que pareça, está em mãos bolivianas. Mesmo sendo uma determinação constitucional, a remoção dos brasileiros é um desastre, algo feito sem consulta aos principais afetados.

Pro bilhar ficar mais interessante, ainda há um acordo, desde 2006, sobre imigrantes ilegais que os dois países renovam todos os anos. Ele viabiliza processos de regularização de cidadania a habitantes do Brasil e da Bolívia. Em três anos, o Brasil regularizou nada mais, nada menos, que 48 mil bolivianos, enquanto apenas oito brasileiros tiveram acesso a este mesmo privilégio do lado de lá.

Aí, quando o presidente se encontra com o Morales- que tornou legal a permanência de menos de uma dúzia de brasileiros em seu país – pede que ele “olhe com carinho” a situação quando, na verdade, deveria negociar em pé de igualdade. Não no esquema “um pra você, um pra mim”, mas usando como argumento os quase 50 mil legalizados pelo Governo do Brasil.

Pode ser que o Lula seja o “cara”, mas o teor do apelido apregoado a ele pelo presidente norte-americano Brack Obama me soa, cada vez mais, como uma grande ironia.

Codinome: Incoerência!

24/07/2009 por eduardoneco
O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou recentemente que a demanda do diploma de jornalista para exercício da profissão é inconstitucional. Logo, aquele que estiver vinculado a algum veículo de comunicação e efetuar minimamente os preceitos do Jornalismo, a partir de agora, será chamado de “jornalista”.
A decisão do STF determina que a produção noticiosa não precisa, necessariamente, ser de inteira responsabilidade de jornalistas graduados. No entanto, “pau que dá em Chico, não dá no setor público”. Digo isso, pois, o ministro do STF, Carlos Ayres Britto – relator do processo que extinguiu a Lei de Imprensa e votante favorável ao fim da obrigatoriedade do diploma em Jornalismo – declarou, em conversa informal com dois jornalistas em um shopping de Aracaju (SE) que, para concursos públicos, o governo DEVE exigir a formação específica em Comunicação Social. Ou seja, para ocupar cargos de jornalista no governo, o sujeito precisa do diploma, na opinião do ministro. Mas para contribuir para a formação de opiniões e aquecimento da opinião pública serve qualquer um mesmo, tendo o tal do diploma ou não.
Essa declaração de Ayres Britto serviu de gancho para uma matéria que produzi nesta quinta-feira (23) para o Portal IMPRENSA.
O que me deixa mais consternado é o tamanho da incoerência do ministro, posto que, votou que o diploma era dispensável para a função de jornalista noticioso, mas, para atuar no governo, a graduação é indispensável. Oh, Ayres Britto, vou te dizer: morro de medo de saber que um membro do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL é um tanto o quanto incoerente!
Abaixo, a matéria produzida por mim e editado por Thaís Naldoni.

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou recentemente que a demanda do diploma de jornalista para exercício da profissão é inconstitucional. Logo, aquele que estiver vinculado a algum veículo de comunicação e efetuar minimamente os preceitos do Jornalismo, a partir de agora, será chamado de “jornalista”.

A decisão do STF determina que a produção noticiosa não precisa, necessariamente, ser de inteira responsabilidade de jornalistas graduados. No entanto, “pau que dá em Chico, não dá no setor público”. Digo isso, pois, o ministro do STF, Carlos Ayres Britto – relator do processo que extinguiu a Lei de Imprensa e votante favorável ao fim da obrigatoriedade do diploma em Jornalismo – declarou, em conversa informal com dois jornalistas em um shopping de Aracaju (SE) que, para concursos públicos, o governo DEVE exigir a formação específica em Comunicação Social. Ou seja, para ocupar cargos de jornalista no governo, o sujeito precisa do diploma, na opinião do ministro. Mas para contribuir com a formação de opiniões e aquecimento da opinião pública serve qualquer um mesmo, tendo o tal do diploma ou não.

Essa declaração de Ayres Britto serviu de gancho para uma matéria que produzi nesta quinta-feira (23) para o Portal IMPRENSA.

O que me deixa mais consternado é o tamanho da incoerência do ministro, posto que, votou que o diploma era dispensável para a função de jornalista noticioso, mas, para atuar no governo, a graduação é indispensável. Oh, Ayres Britto, vou te dizer: morro de medo de saber que um membro do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL é um tanto o quanto incoerente!

Abaixo, a matéria produzida por mim e editada por Thaís Naldoni.

Ayres Britto diz ser a favor da exigência de diploma em concursos públicos

Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA

Durante conversa informal com dois jornalistas sergipanos em um shopping da cidade de Aracaju, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, declarou que foi acertada a decisão do órgão em extinguir a demanda de diploma de jornalista para exercício da profissão.

“Vocês vão ver que a nossa decisão foi acertada, essa decisão vai fortalecer mais ainda os jornalistas, imagine vocês formados, graduados em Jornalismo. O mercado vai absorver vocês ou aquele que não tem nenhuma qualificação específica?”, perguntou aos jornalistas Paulo Sousa e Tamires Franci que abordaram o ministro quando este deixava o shopping.

Aproveitando a oportunidade, Sousa indagou o ministro sobre em que teria se embasado para votar contra a obrigatoriedade. Britto respondeu que usou como parâmetro a liberdade de expressão de países em que o diploma de Jornalismo não é obrigatório. “A nossa Constituição é clara ao dizer que a liberdade de pensamento, de expressão, é livre, então não justifica se exigir diploma porque aí você vai estar impedindo outras pessoas de exercitarem a livre liberdade de expressão”.

O ministro explicou que, no caso dos jornalistas, o talento seria o principal requisito da profissão, o que, necessariamente, não seria alcançado com a graduação. “A questão é que vocês precisam entender que a profissão de jornalista é diferente de uma profissão de advogado, médico, engenheiro, essas exigem a técnica realmente, já o Jornalismo é talento, como é que vou proibir um talentoso escritor de escrever para um jornal, por exemplo?”, questionou.

O jornalista então pontuou que a “inconstitucionalidade” do diploma está apenas na visão “do capitalismo e dos barões da mídia, e agora na visão dos senhores” – referindo-se aos ministros. Ayres Britto, se antecipando, argumentou que o STF está distante das demandas mercadológicas e que a decisão sobre a Lei de Imprensa, bem como a do diploma, foi tomada de maneira independente. “Garanto a você que ninguém se vendeu para dar essa decisão. Nós, ministros do Supremo, somos independentes, nosso cargo é vitalício. Tenha certeza, ninguém lá decidiu para agradar ninguém, se decidiu pela liberdade de expressão. Disso, vocês tenham certeza”.

Apesar de ser contra a exigência de graduação específica para Jornalismo, Ayres Britto revelou aos dois jornalistas que, em sua concepção, o setor público deveria manter a exigência diploma em seus concursos. “Não sei o que pensam os outros ministros, mas acho que é isso que deve prevalecer, até mesmo por que o Supremo realiza agora um concurso público para jornalista e o edital exige que os participantes sejam jornalistas formados, com o diploma de bacharel na área”.

O encontro inusitado com Ayres Britto, relatado no blog do jornalista Paulo Sousa, terminou com uma declaração do ministro a respeito do Projeto de Emenda Constitucional (PEC), que tramita no Senado e na Câmara dos deputados, que tornaria o diploma novamente obrigatório. “Dizer se sou contra ou a favor, não posso se não já estaria emitindo opinião de valor antecipadamente, mas é uma questão de se discutir e avaliar se ela atende realmente a constituição, se ela não proíbe a pessoa de ter acesso ao veículo pra escrever, por exemplo. É preciso que ela seja bem feita e respaldada na liberdade de expressão”.

Um grande abraço aos meus queridos.

Entrevista com o humorista Danilo Gentili sobre diploma em jornalismo

20/06/2009 por eduardoneco

Esta semana foi uma das mais agitadas e produtivas do ano. Na quarta, cobri o emocionante fim da obrigatoriedade do diploma para exercício do jornalismo. Na quinta-feira, recebi a ex-vereadora Soninha Francine e fiz um link ao vivo com ela pro telejornal de conclusão de disciplina pra matéria de telejornalismo. Eu a entrevistei ao vivo, foi sensacional. Ela foi até o Mack (Pra quem não sabe, eu estudo no Mackenzie), super solícita, simpática como nunca vi e, olha só, chegou de moto. Claro, falaríamos mais tarde sobre transporte alternativo!

E nesta sexta-feira (19), para fechar a semana com muito humor, o figuraça Danilo Gentili, repórter do “CQC“, me respondeu uma entrevista sobre o fim da necessidade de diploma em jornalismo. Sinceramente, me surpreendi com o esclarecimento do Danilo sobre o tema.

Perguntei se ele se considera jornalista e se o CQC“, em sua opinião, faz jornalismo ou humor. Falamos também sobre diploma em jornalismo e ele, que é publicitário, deu respostas SENSACIONAIS. Sobre fazer faculdade de jornalismo, já que atua como repórter, Gentili foi taxativo e respondeu o que todo o estudante gostaria de dizer ao seu reitor e nunca pode…

E ele até postou o link da entrevista no Twitter dele, que tem, nada mais, nada menos, que 66 mil seguidores.

Danilo posta o link da entrevista em seu Twitter

Danilo posta o link da entrevista em seu Twitter

Sem mais enrolação, senhores e senhores, com vocês a entrevista que o Aprendiz de Jornaleiro fez com o humorista Danilo Gentili.

Um grande abraço a todos e ainda nesse fim de semana falo mais sobre minha primeira entrevista ao vivo para TV. Estreia com a Soninha Francine, olha só que maneiro rsrs

“A boa faculdade vai entender que tem que tornar seu curso excepcional para atrair alunos “, diz Danilo Gentili

Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA

O humorista Danilo Gentili, do programa “CQC”, é um dos mais controversos repórteres da atualidade, repetindo o que fazia, na década de 80, Ernesto Varella, personagem criado pelo jornalista Marcelo Tas, âncora do humorístico da Band.

Divulgação
Danilo Gentili

Em tom irreverente, Gentili renova a abordagem jornalística a temas sérios que mobilizam a opinião pública, principalmente aqueles vindos de Brasilía (DF), cidade em que o humorista passa a maior parte de seu tempo fazendo o que, em sua opinião, não pode ser considerado “Jornalismo”.

Gentili, que é publicitário, falou ao Portal IMPRENSA o que pensa sobre a queda da obrigatoriedade da formação específica para exercíco da profissão de jornalista, rumos do mercado de trabalho e do novo desafio dos que pretendem seguir carreria como jornalista e das faculdades “que agora não poderão mais ensinar qualquer coisa”.

Portal IMPRENSA – Em sua opinião, foi correta a decisão do STF de suspender a necessidade de formação específica para o profissional de jornalismo?

Danilo Gentili - Eu creio que essa decisão vai favorecer todos aqueles que gostam de jornalismo, se comprometem com ele, porém não querem deixar nenhum reitor mais rico ainda. O Jornalismo é uma profissão que envolve ética, perspicácia, relacionamentos, sagacidade, paixão pela verdade, competência e experiência. Eu não acho que esses valores podem ser aprendidos em um curso de uma faculdade. Eles tem a ver com caráter, boa vontade e vivência. Sendo simplista agora, eu acho por exemplo, que o Neto está mais capacitado para escrever uma matéria sobre futebol do que um jornalista que acabou de sair da faculdade e tem diploma. Acho também hipócrita dizerem “Ah,então agora qualquer um pode ser jornalista?”. Mas é claro que sim! Antes também qualquer um podia ser jornalista, não podia? Era só pagar uma “Unialgumacoisa” da vida por quatro anos e virar jornalista (ou, com um pouco mais de sorte, fazer o pai pagar cursinho dois anos e entrar numa faculdade federal).

IMPRENSA – Quais as consequências, na sua opinião, para a formação acadêmica do jornalista e para o mercado de trabalho?

Gentili - Eu creio que uma boa faculdade vai entender que precisa tornar seu curso realmente excepcional se quiser continuar tendo relevância ao cenário e atrair alunos (ou clientes, como muitas instituições de ensino enxergam seus estudantes). Aquele cursinho da “Unialgumacoisa” vai precisar parar de ensinar qualquer coisa e se importar de verdade em ensinar o melhor jornalismo possível (se é que isso é possível), afinal, agora, o aluno tem a opção de escolha: “Meu sonho é ser jornalista. Eu dou dinheiro pra esse reitor ou tento realizar meu sonho sozinho?”. Creio que aí o mercado de trabalho e os interessados na área vão ganhar. Outra coisa boa é que muito sanguessuga que vive do sindicato corre o risco de perder sua boquinha.

IMPRENSA – Por ser formado em outra graduação que não a de jornalismo, você teve alguma dificuldade em atuar como repórter? Sofreu algum tipo de rejeição por parte dos entrevistados?

Gentili - Nunca tive nenhuma dificuldade em atuar como repórter, pois o veículo em que atuo como “repórter” não requer os padrões plásticos do jornalismo. A postura padrão, a pergunta padrão, a entonação padrão…sou livre pra me esquivar disso tudo. Porém a essência do jornalismo permanece, que é o compromisso de pesquisar e divulgar as informações corretas. O “CQC” tem jornalistas excelentes em seus bastidores. Um produtor que é um jornalista formado por exemplo, é o Marcelo Salinas. Aprendo muito sobre jornalismo de ver o seu raciocínio na hora de apurar algumas coisas. Porém não creio que ele seja um ótimo jornalista porque fez faculdade e sim porque ele tem experiência e boa vontade. Creio que aprendo mais sentando com ele discutindo as pautas e ao lado dele nas matérias em campo, que fazendo quatro anos de curso. Quanto a segunda parte da pergunta, eu jamais sofri rejeição alguma de entrevistado por eu não ter diploma, pois a maioria dos meus entrevistados também não tem diploma. Já entrevistei o Roberto Carlos e ele não tem diploma de cantor. Entrevistei o Kassab e ele não tem diploma de prefeito. Entrevistei o Lula e ele não tem diploma de… bem… ele não tem diploma.

IMPRENSA - Você se considera um jornalista?

Gentili - Confesso que estou mais preocupado em fazer rir do que em dar um grande furo jornalístico. Eu me considero um humorista e não um jornalista. Vivo de humor muito antes do “CQC”. Tenho boas críticas nos jornais que me consideram um bom humorista antes do “CQC”. E adivinha só… Eu nunca fiz nenhuma faculdade de humorismo.

IMPRENSA – Na sua opinião, o mercado terá preferência por profissionais formados em jornalismo, mesmo após a queda da obrigatoriedade?

Gentili - Creio que o mercado vai continuar dando preferência pra quem já dava antes dessa decisão do STF: para os jornalistas melhores preparados (e isso pode incluir ter sido preparado numa boa faculdade) ou os que não são tão bem preparados assim, mas fizeram o teste do sofá com a redação ou tem algum padrinho forte no meio (e aqui, novamente, ter ou não um diploma não vai impedir que isso aconteça).

IMPRENSA – Mesmo sem a necessidade de formação específica para o exercício da profissão, você pensa em fazer faculdade de jornalismo? Acha necessário ao seu trabalho?

Gentili - Jamais. Eu já deixei um reitor cheio do meu dinheiro uma vez pra fazer uma faculdade que não serve pra nada (publicidade) e não pretendo repetir isso nunca mais na minha vida. O que eu acho necessário pro meu trabalho e pra qualquer outro é se comprometer muito com o que se propôs a fazer e procurar observar os mais experientes trabalharem. No caso de jornalismo não é tão difícil assim fazer isso. É só ler jornais, revistas e ver a TV e vai observar excelentes jornalistas trabalhando. E me pergunto: o que eles fizeram para produzir uma matéria tão boa como essa? Foi a Uninove, a PUC ou a paixão desses jornalistas pelo que fazem? Vocês podem me dizer: “sim..mas eles são bons porque tiveram uma boa base na faculdade”. Ora, se a faculdade dá uma base tão boa assim, porquê, então, precisam estagiar quando saem delas? O estágio nada mais é do que a hora que você realmente aprende a fazer, porque é a hora que parou de ouvir “cagação” de regra e foi fazer na prática.

IMPRENSA – Na sua opinião, o trabalho realizado pelo “CQC” pode ser considerado jornalismo?

Gentili – O trabalho realizado pelo “CQC” é jornalistico, porém a linguagem que usamos para transmitir esse jornalismo é o humor. Cruzamos expêriencias de jornalistas, humoristas e pessoal da TV. Transmitimos fatos, acontecimentos, eventos, fazemos rir. Creio que o “CQC” é uma mistura de caminhos e o Jornalismo é umas das avenidas principais. E particularmente, me considero um sujeito de muita sorte por poder transitar por essa avenida

Diploma, para quê te quero?

18/06/2009 por eduardoneco
Diploma, para quê te quero?
Não é necessário ter diploma de Jornalismo para exercer
a profissão desde a última quinta-feira (17) depois que
o STF (Superior Tribunal Federal) votou por oito votos
a um que esta demanda era inconstitucional.
Agora, não existe mais qualquer tipo de registro
obrigatório para a prática jornalística, basta o
sujeito ser filiado a um veículo de comunicação e
exercer alguns dos preceitos da profissão para ser
chamado de jornalista.
Acompanhei todo o julgameto através de videoconferência
e vi, um a um, os votos dos nove ministros do Supremo
Tribunal que, na verdade, é composto por onze, mas na
ocasião estava desfalcado pelos ministros Joaquim
Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito, que não
apresentaram seus votos imediatamente.
Todos os que se puseram contra a obrigatoriedade
argumentaram de forma esplêndida, devo admitir.
Salvando as observações muito particulares, todos
concordaram em uníssono em alguns pontos: é preciso
garantir a livre expressão, diploma de jornalismo não
garante idoneidade de informação e que a formação do
profissional não acontece apenas nas salas de aula.
Mesmo contrariado pelo fato de, até o momento, ter
deixado cerca de R$ 20 mil reais nos cofres da
faculdade, reconheço que os argumentos que pesaram na
decisão são magníficos e os apoio.
Durante partes da votação, eu desplugava os fones da
minha caixa de som e deixava o debate invadir toda a
redação quando presentia que determinado ministro ou
representante da sociedade civil iria dizer algo
importante. A discussão na redação da IMPRENSA
Editorial não foi, em nenhum um momento, acalorada.
Todos, uns mais outros menos contrariados, concordavam
com a suspensão da obrigatoriedade, em parte pelo fato
dessa demanda estar apoiada sobre uma lei ratificada lá
nos tempos de ditadura e cujo único objetivo não era
proteger e beneficiar a classe dos jornalistas, mas
mantê-la sob vigilância.
Pesou também o fato de nenhum dos meus colegas
acreditar, minimamente que fosse, que isso mudaria
alguma coisa para o mercado de trabalho. Não sei se
isso é bom ou ruim, mas sabemos por A+B que as redações
continuarão contratando jornalistas na maioria dos
casos. Os que não possuem diploma, mas uma carga
cultural louvável e um conhecimento reconhecido em
determinada área, com certeza irão trazer um dinamismo
mais que bem-vindo à imprensa nacional, pode apostar.
Quando Cesar de Mello, último ministro a votar,
terminou seu longo discurso e anunciou opinião
contrária à necessidade da formação específica, então
uma onda de piadas sensacionais surgiu entre a patota.
Cada um dos jornalistas da redação fazia uma breve
conta de quanto teria custado seu diploma e então o
trocava por algum bem material equivalente, tudo isso
em tom de um tímido lamento por ter gasto de forma
“desnecessária” tamanha quantia de dinheiro. “Poxa,
poderia ter comprado uma moto”, dizia um. “Mas com essa
grana eu morava dois anos na Europa, de boa”, calculava
outro. Mas, no fundo, nenhum deles, e me incluo neste
nicho, acredita que o dinheiro tenha sido desperdiçado.
Todos seriam jornalistas com exigência do diploma ou
não. Frequentariam as aulas da graduação da mesma
forma, pelos simples fato do jornalista ter sede por
informação e plena ciência de que quanto mais se sabe,
maior valor você terá no mercado e, consequentemente,
realização pessoal.
O que aconteceu na última quarta foi algo histórico
para os jornalistas brasileiros. Agora, sem lei de
imprensa e sem obrigatoriedade do diploma, a profissão
vive um grande momento de incertezas.
Será que foi certa a decisão do Supremo? O que posso
dizer é que, independente de não ser oficialmente
necessário, sabemos que o profissional diplomado
continuará sendo cobiçado pelas redações dos maiores e
melhores veículos. Por ora, Folha e Rede Globo já se
manifestaram confirmando sua preferência por
jornalistas formados e, os outros veículos, certamente,
seguiram o caminho dos líderes.

Não é necessário ter diploma de Jornalismo para exercer a profissão desde a última quinta-feira (17) depois que o STF (Superior Tribunal Federal) votou por oito votos a um que esta demanda era inconstitucional.

Clique aqui para ver matéria produzida pelo Portal IMPRENSA durante o julgamento.

Agora, não existe mais qualquer tipo de registro obrigatório para a prática jornalística, basta o sujeito ser filiado a um veículo de comunicação e exercer alguns dos preceitos da profissão para ser chamado de jornalista.

Acompanhei todo o julgamento através de videoconferência e vi, um a um, os votos dos nove ministros do Supremo Tribunal que, na verdade, é composto por onze, mas na ocasião estava desfalcado pelos ministros Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito, que não apresentaram seus votos imediatamente.

Todos os que se puseram contra a obrigatoriedade argumentaram de forma esplêndida, devo admitir. Salvando as observações muito particulares, todos concordaram em uníssono em alguns pontos: é preciso garantir a livre expressão, diploma de jornalismo não garante idoneidade de informação e que a formação do profissional não acontece apenas nas salas de aula. Mesmo contrariado pelo fato de, até o momento, ter deixado cerca de R$ 20 mil reais nos cofres da faculdade, reconheço que os argumentos que pesaram na decisão são magníficos e os apoio.

Durante partes da votação, eu desplugava os fones da minha caixa de som e deixava o debate invadir toda a redação quando pressentia que determinado ministro ou representante da sociedade civil iria dizer algo importante. A discussão na redação da IMPRENSA Editorial não foi, em nenhum um momento, acalorada. Todos, uns mais outros menos contrariados, concordavam com a suspensão da obrigatoriedade, em parte pelo fato dessa demanda estar apoiada sobre uma lei ratificada lá nos tempos de ditadura e cujo único objetivo não era proteger e beneficiar a classe dos jornalistas, mas mantê-la sob vigilância.

Pesou também o fato de nenhum dos meus colegas acreditar, minimamente que fosse, que isso mudaria alguma coisa para o mercado de trabalho. Não sei se isso é bom ou ruim, mas sabemos por A+B que as redações continuarão contratando jornalistas na maioria dos casos. Os que não possuem diploma, mas uma carga cultural louvável e um conhecimento reconhecido em determinada área, com certeza irão trazer um dinamismo mais que bem-vindo à imprensa nacional, pode apostar.

Quando Cesar de Mello, último ministro a votar, terminou seu longo discurso e anunciou opinião contrária à necessidade da formação específica, então uma onda de piadas sensacionais surgiu entre a patota.

Cada um dos jornalistas da redação fazia uma breve conta de quanto teria custado seu diploma e então o trocava por algum bem material equivalente, tudo isso em tom de um tímido lamento por ter gasto de forma “desnecessária” tamanha quantia de dinheiro. “Poxa, poderia ter comprado uma moto”, dizia um. “Mas com essa grana eu morava dois anos na Europa, de boa”, calculava outro. Mas, no fundo, nenhum deles, e me incluo neste nicho, acredita que o dinheiro tenha sido desperdiçado. Todos seriam jornalistas com exigência do diploma ou não. Frequentariam as aulas da graduação da mesma forma, pelos simples fato do jornalista ter sede por informação e plena ciência de que quanto mais se sabe, maior valor você terá no mercado e, consequentemente, realização pessoal.

O que aconteceu na última quarta foi algo histórico para os jornalistas brasileiros. Agora, sem lei de imprensa e sem obrigatoriedade do diploma, a profissão vive um grande momento de incertezas.

Será que foi certa a decisão do Supremo? O que posso dizer é que, independente de não ser oficialmente necessário, sabemos que o profissional diplomado continuará sendo cobiçado pelas redações dos maiores e melhores veículos. Por ora, Folha e Rede Globo já se manifestaram confirmando sua preferência por jornalistas formados e, os outros veículos, certamente, seguiram o caminho dos líderes.

Um grande beijo aos meus queridões e seja o que Deus quiser daqui pra frente…

Oficial de Justiça é executada com oito tiros; outros dois sofrem atentado

07/06/2009 por eduardoneco

A oficial de justiça Sandra Sesmanioto, 48 anos de idade, dos quais vinte dedicados ao Judiciário do Estado de São Paulo, saiu em diligência há pouco mais de um mês para efetuar um mandado de busca e apreensão de uma motocicleta, na Zona Sul da cidade de São Paulo.

À disposição dos oficiais sempre está uma patrulha da Polícia Militar para dar apoio em situações de “ameaça” prevista, como reintegração de posse ou atuação em áreas de “risco”, como favelas e pontos conhecidos em que o crime predomina. Como o caso não envolvia nenhuma dessas hipóteses, Sandra dispensou cobertura policial.

Além da PM, o trabalho dos oficiais recebe o “apoio” de um agente que atua à mando de bancos – credores – que desejam que os bens em penhora sejam encontrados para pagamento da dívida. Estes agentes, vulgarmente chamados de “localizadores”, costumam chegar ao local bem antes dos oficiais, indicando a eles, por telefone, o paradeiro do objeto da busca. Porém, dessa vez, Sandra encontrou o endereço primeiro nas imediações do Jardim São Luiz, bairro que registra um dos índices de criminalidade mais altos da cidade e é notoriamente afamado por ter o maior cemitério de indigentes da América Latina.

Localizou a casa do citado na petição, parou o carro, tocou a campainha. “Senhor, eu vim cumprir um mandado de busca e apreensão da moto que está em seu nome”, comunicou sua intenção. O homem não manifestou qualquer resistência ou sentimento de estorvo. Concordou em entregar a moto, mas pediu que a oficial aguardasse enquanto ele pegava as chaves do portão.

A oficial, que em anos de profissão já viu gente se estrebuchar de tanto choro por causa de carros e bens, certamente deve ter estranhado a placidez e gentileza do homem, mas acatou e voltou para seu automóvel. Viu ainda o agente chegar, parando imediatamente atrás dela. Como o conhecia, acenou e disse que já não precisava mais de sua ajuda, a diligência estava quase terminada.

Dentro de seu veículo, a oficial ajeita os papéis que o intimado deve assinar.  Com o canto esquerdo do olho percebe que o homem se aproxima de sua janela.  Ele ergue o 38 na altura do rosto de Sandra e dispara uma, duas, três, quatro – a oficial cai em cima do banco direito – cinco vezes. O homem bate a arma em sua perna para abrir o tambor quente, por ter intimidade com o 38, sabia que tocá-lo seria burrice, lhe queimaria as mãos. As cápsulas vazias caem e tilintam no asfalto. Ele apalpa os bolsos a procura de mais balas, encontra. Enfia três no revólver e descarrega sobre a oficial.

O localizador, que assistiu a execução, acionou uma viatura próxima à rua. O homem foi preso em flagrante e enquadrado por porte ilegal de arma e homicídio duplamente qualificado – por motivo torpe e sem chance de defesa – e, segundo me informaram fontes que assistiram ao seu depoimento, ele “não se arrepende”. Tampouco dá pistas de algo que se aproxime de uma justificativa plausível – se é que existe – para cravar oito balas em Sandra.

O caso de Sandra se torna mais comum a cada dia. Na semana passada, dois oficiais que atuavam em conjunto em uma ação na cidade de Itapecerica da Serra foram recebidos à tiros de “12”. Para os que não conhecem calibre de armas, digo que uma “12” é utilizada para abater animais de grande porte, como bois, búfalos e, em situações de covardia desmedida, oficiais de justiça.

Ainda pelos próximos dias, trago detalhes do episódio da “12” e tantos outros que assombram funcionários do Judiciário no estado de São Paulo.

Um grande abraço a todos.

Senador ACM Jr fala sobre o programa “A Voz do Brasil”

06/06/2009 por eduardoneco
Há algum tempo discutisse a importância do programa “A Voz do Brasil” e se ele, de fato, cumpre o objetivo de informar a população brasileira sobre os feitos do governo.
Sabe-se que na cidade de São Paulo, por exemplo, o programa tem índices de audiência pífios. No momento em que a musiquinha anuncia o programa no rádio, milhares de pessoas simplesmente desligam.
Por estes e outros motivos, o Congresso Nacional e o Senado debatem a reformulação do programa e, talvez, até sua extinção por meio do Projeto de Lei 109/2006, cujo relator é o senador Antonio Carlos Magalhães Júnior, filho do falecido ACM – um dos políticos mais notórios e controversos da história brasileira.
Na última segunda-feira eu o entrevistei por telefone e descobri que o senador é contra o programa “A Voz do Brasil” que, em sua opinião, é ultrapassado e incapaz de gerar interesse na população.
No entanto, ACM Júnior salientou que em regiões mais remotas do País, o programa é essencial, já que a grande mídia não chega à todos os lugares.
Ele disse, ainda, que na Câmara a extinção do programa jamais será aprovada – acredito eu, em razão da “propaganda gratuita” que “A Voz do Brasil” proporciona aos parlamentares.
Um dos pontos mais questionados pelo senador, que pediu a retirada da pauta do Projeto para que pudesse estudá-lo melhor, é o horário de veiculação do programa, hoje fixado entre as oito e nove horas da noite. No novo Projeto, o programa poderia ser levado ao ar entre as 19h e às 22h, o que permitira às rádios um planejamento comercial mais preciso, diminuindo prejuízos.
Clique aqui e veja na íntegra a entrevista que fiz co senador Antonio Carlos Magalhães Júnior, relator do Projeto de Lei que debate o destino do programa “A Voz do Brasil”.
Um grande abraço aos meus queridões

Há algum tempo discuti-se a importância do programa “A Voz do Brasil” e se ele, de fato, cumpre o objetivo de informar a população brasileira sobre os feitos do governo.

Sabe-se que na cidade de São Paulo, por exemplo, o programa tem índices de audiência pífios. No momento em que a musiquinha anuncia o programa no rádio, milhares de pessoas simplesmente desligam.

Por estes e outros motivos, o Congresso Nacional e o Senado debatem a reformulação do programa e, talvez, até sua extinção por meio do Projeto de Lei 109/2006, cujo relator é o senador Antonio Carlos Magalhães Júnior, filho do falecido ACM – um dos políticos mais notórios e controversos da história brasileira.

ACM

Senador ACM Júnior

Na última segunda-feira eu o entrevistei por telefone e descobri que o senador é contra o programa “A Voz do Brasil” que, em sua opinião, é ultrapassado e incapaz de gerar interesse na população.

No entanto, ACM Júnior salientou que em regiões mais remotas do País, o programa é essencial, já que a grande mídia não chega à todos os lugares.

Ele disse, ainda, que na Câmara a extinção do programa jamais será aprovada – acredito eu, em razão da “propaganda gratuita” que “A Voz do Brasil” proporciona aos parlamentares.

Um dos pontos mais questionados pelo senador, que pediu a retirada da pauta do Projeto para que pudesse estudá-lo melhor, é o horário de veiculação do programa, hoje fixado entre as oito e nove horas da noite. No novo Projeto, o programa poderia ser levado ao ar entre as 19h e às 22h, o que permitira às rádios um planejamento comercial mais preciso, diminuindo prejuízos.

Clique aqui e veja na íntegra a entrevista que fiz co senador Antonio Carlos Magalhães Júnior, relator do Projeto de Lei que debate o destino do programa “A Voz do Brasil”.

Um grande abraço aos meus queridões

E-mail acusa jornalista de incitar violência sobre greve da USP

06/06/2009 por eduardoneco
Vocabulário básico*
Tino: que significa “discernimento”, “capacidade de avaliar as coisas”.
Tiro:Disparo por arma de fogo.
Na última sexta-feira (6), a redação do Portal IMPRENSA recebeu um e-mail afirmando que o jornalista do SBT, José Nêumanne Pinto, tinha dito que os grevistas da USP deveriam “levar tiro”.
Segundo descrito na mensagem, a observação de Nêumanne ocorreu durante a primeira edição do Jornal do SBT no quadro “Direto ao Assunto”, em que o jornalista trata de forma simples, sem rodeios, assuntos debatidos durante a semana.
Quando lemos a mensagem- eu e a repórter Ana Moulatlet – desconfiamos de pronto, já que nenhum jornalista com a experiência de Nêumanne, por mais que pensasse aquilo sobre a greve, o diria em rede nacional.
Como não podemos trabalhar em cima de especulações, ligamos para Nêumanne que afirmou aquilo que já prevíamos: “Isso é mentira!”, disse ele sobre as supostas declarações.
Então, construímos o texto sem acusá-lo, sem denegri-lo, seguindo caminho inverso ao sugerido pelo e-mail enfurecido que queria a cabeça de Nêumanne.
O texto teria de ficar assim até que conseguíssemos ver a tal da declaração de Nêumanne. Então, lá pro fim da tarde, por A+B conseguimos o vídeo (com exclusividade do Portal IMPRENSA) e constatamos o absurdo disseminado pela Internet. Nêumanne em momento algum incitou violência sobre a paralisação dos funcionários da USP. O jornalista disse – e não me cabe avaliar sua opinião – que a greve era “sazonal”, que ocorreria sempre nessa época do ano e que já tinha até entrado para o calendário dos funcionários. Acrescentou que a reitora da USP, Sueli Vilela, “fez muito bem em chamar a tropa de choque” para pôr os grevistas para fora dos prédios da Universidade.
E a frase que causou rebuliço entre jornalistas e estudantes foi: “Esse pessoal deveria tomar TINO, você não acha?”. Pronto! Isso prova que as pessoas veem aquilo que querem. O tal do “tomar tino” converteu-se em matança sangrenta através de disparos de arma de fogo de funcionários, professores e estudantes da universidade que apoiam a greve.
Clique aqui e veja a reportagem na íntegra
Um grande abraço aos meus queridões e tomem cuidado com o que escrevem na Internet, a rede mundial tem um poder que vocês não fazem ideia.

Vocabulário básico*

Tino: que significa “discernimento”, “capacidade de avaliar as coisas”.

Tiro:Disparo por arma de fogo.

Na última sexta-feira (6), a redação do Portal IMPRENSA recebeu um e-mail afirmando que o jornalista do SBT, José Nêumanne Pinto, tinha dito que os grevistas da USP deveriam “levar tiro”.

Neumanne

José Nêumanne Pinto

Segundo descrito na mensagem, a observação de Nêumanne ocorreu durante a primeira edição do Jornal do SBT no quadro “Direto ao Assunto”, em que o jornalista trata de forma simples, sem rodeios, assuntos debatidos durante a semana.

Quando lemos a mensagem- eu e a repórter Ana Moulatlet – desconfiamos de pronto, já que nenhum jornalista com a experiência de Nêumanne, por mais que pensasse aquilo sobre a greve, o diria em rede nacional.

Como não podemos trabalhar em cima de especulações, ligamos para Nêumanne que afirmou aquilo que já prevíamos: “Isso é mentira!”, disse ele sobre as supostas declarações.

Então, construímos o texto sem acusá-lo, sem denegri-lo, seguindo caminho inverso ao sugerido pelo e-mail enfurecido que queria a cabeça de Nêumanne.

O texto teria de ficar assim até que conseguíssemos ver a tal da declaração de Nêumanne. Então, lá pro fim da tarde, por A+B conseguimos o vídeo (com exclusividade do Portal IMPRENSA) e constatamos o absurdo disseminado pela Internet. Nêumanne em momento algum incitou violência sobre a paralisação dos funcionários da USP. O jornalista disse – e não me cabe avaliar sua opinião – que a greve era “sazonal”, que ocorreria sempre nessa época do ano e que já tinha até entrado para o calendário dos funcionários. Acrescentou que a reitora da USP, Sueli Vilela, “fez muito bem em chamar a tropa de choque” para pôr os grevistas para fora dos prédios da Universidade.

E a frase que causou rebuliço entre jornalistas e estudantes foi: “Esse pessoal deveria tomar TINO, você não acha?”. Pronto! Isso prova que as pessoas veem aquilo que querem. O tal do “tomar tino” converteu-se em matança sangrenta através de disparos de arma de fogo contra funcionários, professores e estudantes da universidade que apoiam a greve.

Clique aqui e veja a reportagem na íntegra

Um grande abraço aos meus queridões e tomem cuidado com o que escrevem na Internet, a rede mundial tem um poder que vocês não fazem ideia.

Governo Lula obtém 69% de aprovação, segundo o DataFolha

31/05/2009 por eduardoneco

O índice de aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi considerado ótimo/bom por 69% dos entrevistados, segundo pesquisa do instituto DataFolha divulgada nesse domingo no jornal Folha de S.Paulo. Vale salientar que pesquisa alguma representa de forma confiável a visão de um País de mais de 180 milhões de pessoas. Essa é uma pesquisa por “amostragem”, não corresponde à realidade exata.

Para desespero da oposição, Lula, o presidente que nada sabe; nada viu e nem quer ver, bate recordes históricos de aprovação mesmo em tempos de ressaca da crise financeira, gripe suína e abraços amistosos com o controverso Hugo Chávez.

A mídia oposicionista – se é que ela existe ainda de forma declarada – trabalha com esmero e cumpre seu “papel” de apontar lambanças, castelos e de botar no “pau” os fulaninhos que orquestram mensalões e tramóias. Mas, ao que parece, aqui em nosso país votamos apenas no “cara”, não em seu partido e por mais que a cobertura do bolo esteja fedendo, o recheio ainda está bom, no julgamento do eleitorado “lulante”.

Quando seria possível imaginar que um presidente, cujo ministro-chefe da Casa Civil foi cassado, preservaria índices estratosféricos de aprovação? Cara, tem coisa que só acontece no Brasil…

No entanto, não sou agnóstico em relação à destreza de Lula à frente do governo. Ao contrário de alguns de meus colegas jornalistas, não creio que o excelente estado econômico brasileiro (os números provam isso), o ótimo trabalho do Ministério da Saúde em combater a dengue e, principalmente, conter o avanço da gripe suína, entre outras tantas coisas, seja resultado de mero “golpe de sorte” de Lula.

Que uma coisa fique bem clara: o povo que elegeu o Lula não é composto inteiramente de pessoas iletradas que o idolatram a todo o custo e se o país vai assim tão bem, é preciso admitir que o homem tem – ou deve ter – algum mérito.

Sendo assim, “the man” continua sorrindo à toa, com índices de aprovação que ele mesmo desacredita, mas não questiona. O presidente “teflon” segue firme e crê porque crê que conseguirá passar o cetro para as mãos de Dilma Roussef. Mesmo diante desse desempenho esplêndido de seu governo, é pouco provável que Lula bote Dilma no Planalto.

Após oito anos de lulismo polêmico e controverso, arrisco dizer que devemos nos preparar para oito anos de mandato de José Serra, representando a volta ao poder da classe dominante no país de um jeito bem sisudo, como quem diz “escuta, esse negócio de ação social não cola aqui”.

Me preocupa o fato do país ter crescido de forma extraordinária puxado pelo desempenho da classe média baixa (que não vota no Serra) e a possibilidade de um governo elitista que, acredito eu, estará se “lixando” para o avanço dessa classe.

A ideia de um governo menos populista e um pouco mais “técnico” muito me agrada, mas temo que a evolução na qualidade de vida da Classe C estagne, posto que os votos dessa classe não interessam ao PSDB e a seus aliados.

Temo, ainda, que Serra no poder defenda o interesse dos seus e se esqueça de cuidar dos interesses dos meus, ou seja, da recém-formada classe média baixa (bem baixa).

Um grande abraço aos meus queridos e muito obrigado pelos comentários do post da Gazeta: vocês marejaram meus olhos por muitas vezes nessa semana.

O fim da Gazeta Mercantil e o primeiro furo do aprendiz de jornaleiro

28/05/2009 por eduardoneco
Após 89 anos de existência, a Gazeta Mercantil manda às bancas amanhã (sexta-feira – 29/05/2009) seu último exemplar depois de cansativas lutas para salvar o diário, que estava ameaçado por um dívida trabalhista de quase R$ 200 milhões. 
Seguidas reuniões entre a CBM (Companhia Brasileira Multimída) e representantes da família Levy – a qual volta a ser proprietária do jornal – não surtiram efeito e na tarde desta quinta o próprio vice-presidente da CBM, Eduardo Jácome, veio da sede da empresa, no Rio de Janeiro, para dar a notícia aos funcionários da redação de São Paulo.
Ao menos pelos próximos trinta dias, caso nenhum novo acordo seja feito, máquina alguma nesse País voltará a tingir o papel com notícias produzidas pela Gazeta. 
O fim de um dos maiores jornais noticiosos especializados em economia era uma assombração que brincava com a psique dos que trabalhavam na Gazeta e que hoje se materializou sob a forma de um dirscuso de alguns minutos de Jácome. 
A cobertura
Eu vinha acompanhando a agonia da Gazeta há mais de um mês e estava crente que um grande grupo de mídia, uma hora ou outram iria se interessar pelo jornal. Eu torcia muito pelos repórteres de lá, conheço alguns e tenho muito apreço por eles, por isso a possibilidade de falência me entristecia. 
Hoje de tarde, enquanto esperava notícias de uma outa fonte, resolvi fazer o caminho inverso e tomar a iniciativa. Peguei minha agenda (o que de mais valioso um repórter pode ter) e corri os olhos à procura de algum contato e achei.
Não sei por que cargas d´agua, deu-me na telha de procurar uma outra fonte. 
Liguei e do outro lado me atendeu uma simpática repórter que, mesmo sem que eu dissesse, sabia exatamente o que me falar e desandou a dar todo o tipo de informação que eu precisava, mesmo naquele momento de tristesa. “Vamo lá, deixa eu ver como posso ajudar você, Eduardo”, me disse. E foi paciente em diversos momentos quando o garotão aqui não conseguiu anotar alguma coisa e pediu para que ela repetisse.
A trilha sonora de nosso papo era uma balbúrdia tremenda de fundo, típica de redação em horário de fechamento (quando estão terminando de fazer a edição do jornal para mandá-lo para a gráfica).Logo que percebi a confusão, lembrei que aquele era o último fechamento da Gazeta e fiz à repórter a cruel pergunta de como ela se sentia escrevendo sua última matéria para a edição que encerrava anos de tradição do diário. Me arrependi assim que a pergunta saiu da minha boca, coisa de carniceiro…não era momento para aquilo…
No fim do nosso papo, demais de me contar detalhadamente o acontecido, a gentil repórter me pediu licença para desligar e terminar sua reportagem. Por mais que fosse a derradeira, ela precisava finalizá-la.
O tempo: meu maior inimigo

Vocabulário básico*

Furo: quando você dá uma notícia em primeira mão, na frente de toda a concorrência, com total exclusividade.

Após 89 anos de existência, a Gazeta Mercantil manda às bancas amanhã (sexta-feira – 29/05/2009) seu último exemplar depois de cansativas lutas para salvar o diário, que estava ameaçado por uma dívida trabalhista de quase R$ 200 milhões. 

Seguidas reuniões entre a CBM (Companhia Brasileira Multimída) – antiga donatária – e representantes da família Levy – a qual volta a ser proprietária do jornal – não surtiram efeito e na tarde desta quinta o próprio vice-presidente da CBM, Eduardo Jácome, veio da sede da empresa, no Rio de Janeiro, para dar a notícia aos funcionários da redação de São Paulo.

Ao menos pelos próximos trinta dias, caso nenhum novo acordo seja feito, máquina alguma nesse País voltará a tingir o papel com notícias produzidas pela Gazeta. 

O fim de um dos maiores jornais noticiosos especializados em economia era uma assombração que brincava com a psique dos que trabalhavam na Gazeta e que hoje se materializou sob a forma de um dirscuso de alguns minutos de Jácome. 

furoMatéria foi parar na home do Portal UOL


A cobertura e o furo

Eu vinha acompanhando a agonia da Gazeta há mais de um mês e estava crente que um grande grupo de mídia, uma hora ou outra,  iria se interessar pelo jornal. Eu torcia muito pelos repórteres de lá, conheço alguns e tenho muito apreço por eles, por isso a possibilidade de falência me entristecia. 

Hoje de tarde, enquanto esperava notícias de uma outra fonte (pessoa que lhe dá informações privilegiadas sobre determinado assunto), resolvi fazer o caminho inverso e tomar a iniciativa. Peguei minha agenda (o que de mais valioso um repórter pode ter) e corri os olhos à procura de algum contato e achei. p.s: Não sei por que cargas d´agua, deu-me na telha de procurar uma outra fonte. 

Liguei e do outro lado me atendeu uma simpática repórter que, mesmo sem que eu dissesse, sabia exatamente o que me falar e desandou a dar todo o tipo de informação que eu precisava, mesmo naquele momento de tristeza. “Vamos lá, deixa eu ver como posso ajudar você, Eduardo”, me disse. E foi paciente em diversos momentos quando o garotão aqui não conseguiu anotar alguma coisa e pediu para que ela repetisse.

A trilha sonora de nosso papo era uma balbúrdia tremenda de fundo, típica de redação em horário de fechamento (quando estão terminando de fazer a edição do jornal para mandá-lo para a gráfica). Logo que me dei conta da confusão, lembrei que aquele era o último fechamento da Gazeta e fiz à repórter a cruel pergunta de como ela se sentia escrevendo sua última matéria para a edição que encerrava anos de tradição do diário. Me arrependi assim que a pergunta saiu da minha boca, coisa de carniceiro…não era momento para aquilo…

No fim do nosso papo, depois de me contar detalhadamente o acontecido, a gentil repórter me pediu licença para desligar e terminar sua reportagem. Por mais que fosse a derradeira, ela precisava finalizá-la.

O tempo: meu maior inimigo

Bati o telefone com duas coisas na minha cabeça: a notícia era quente e por isso bem capaz de ninguém tê-la dado.  Digitei o primeiro parágrafo sem ter a menor ideia do que estava fazendo, no puro susto. Poxa, eu tinha tanta coisa na mão que era difícil computar tudo aquilo sem pensar que talvez a “concorrência”  estivesse em cima do mesmo assunto. 

Depois desse breve período entre o fim da ligação e meu “devaneio”, olhei pra minha chefe, a editora-executiva do Portal IMPRENSA, Thaís Naldoni e disse: a Gazeta acabou! Nesse exato momento, a divetida redação da IMPRENSA Editorial se calou, acho que na tentativa de assimilar a ideia – lembrando que nós trabalhamos com comunicação e uma notícia como essa é uma bomba. 

Com ajuda da repórter Ana Luiza Moulatlet terminei de apurar a notícia e escrevi um texto básico, bem rápido, sem enrolação. Passei pra Naldoni que deu um tapa de  jornalista acostumadíssima a furar deus e o mundo e pronto: jogamos a notícia no ar e saímos à caça da compravação do nosso furo. Depois de alguns minutos concluímos que não só tinhamos furado a concorrência, mas todos os grandes veículos do Brasil! QUE EMOÇÃO!

Confira aqui a reportagem que me rendeu meu primeiro “furo”.

De todos os “parabéns” que recebi, o que mais me emocionou foi o da minha chefe, mas não por ela mandar em mim; e sim pelo fato de ser a responsável por toda formação profissional de um cara que hoje furou todo mundo, mas que há um ano e pouco era um completo asno sem noção que não chegaria a lugar nenhum caso ela não tivesse paciência de ensinar.

Apesar do furo, todo o processo de “formação” do profissional ainda está no começo. Ainda há tanto o que aprender e a evoluir…mas é gratificante saber que algo mudou, que eu não sou o mesmo cara de antes. Posso não ser o mais esperto dos estagiários, mas sei que um dia  - do meu jeito – serei um competente jornalista…

Meus queridos, imenso prazer em dividir este momento tão peculiar com vocês…Muito obrigado e um grande abraço.