Um dos livros de leitura obrigatória da disciplina de Jornalismo e Opinião Pública do meu curso foi o “Jornalismo e Política Democrática no Brasil”, de Carolina Matos, que é doutora em jornalismo político pela Universidade de Londres.
O livro de Carolina trata da cobertura política da imprensa nacional a partir das Diretas Já! e apresenta de forma quase científica a evolução desta cobertura até as últimas eleições presidenciais, em 2006.
Entrevista Carolina para a seção “Autor” do Portal IMPRENSA. Fiz seis perguntas e recebi como resposta uma aula particular de jornalismo e política. Li todo o livro, mas uma análise mais aprofundada da autora, conforme suas respostas mostraram, foi um privilégio que, até o momento, só eu tive acesso.
Como um repórter em formação, digo que uma entrevista como a de Carolina, por incrível que pareça, é um problemão danado, justamente pelo esmero de suas respostas e a profundidade de cada uma delas. Mesmo atuando em um veículo virtual, o qual, em tese ,possuí espaço ilimitado, é preciso editar a entrevista e colocá-la dentro de um texto que não ultrapasse o limite de paciência do leitor.
Sabendo disso eu lia e relia as respostas de Carolina e não achava uma linha sequer para cortar. Sem exagero nenhum, é um desespero quando a entrevista é boa e seu chefe sabe disso. Pois quando você recebe respostas medíocres, qualquer coisa que você fizer terá a impressão de um milagre sobre a terra.
Passei dois dias agoniado. Lia as respostas no trabalho e não chegava à conclusão nenhuma. Chegava em casa e repetia o processo, faltava da academia e deixava até de jantar para ficar com os olhos colados no PC.
No dia da publicação do texto, resolvi fazer tudo no susto. Depois de ter lido tudo inúmeras vezes, tinha na cabeça algo bem próximo do que a Carolina (simpaticíssima, aliás) queria dizer com tudo aquilo.
Sentei, bati o texto durante meu expediente (não posso parar para fazer exclusivamente um texto). Então, sem mais, o texto produzido a partir da leitura do livro “Jornalismo e Política Democrática no Brasil” e da entrevista com sua autora, Carolina Matos.
Livro de Carolina Matos examina as relações entre mídia e política no Brasil
Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA
Há pouco mais de vinte anos, a imprensa brasileira teve papel crucial na fomentação da nova democracia ao apoiar a campanha pelas Diretas Já! que levaria o povo às ruas pelo direito de eleger o presidente da república. Este momento histórico daria início à cobertura política no país, o que colocaria os jornalistas diante de um novo desafio: lidar com a recém conquistada liberdade de expressão e com a missão contribuir para a formação de uma visão política que deixasse de lado as opiniões dos donos dos grupos de mídia, cumprindo o preceito de informar de forma imparcial.
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| Capa do livro |
O livro “Jornalismo e Política Democrática no Brasil” (Publifolha), de Carolina Matos, entrevistada desta semana da seção “Autor”, traz uma análise minuciosa justamente do comportamento da imprensa brasileira nos momentos mais importantes da construção da democracia. Desde os arrebatadores protestos em favor da aprovação da emenda Dante de Oliveira, até as eleições que levaram o líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva ao posto máximo da política nacional, o livro mostra os erros e acertos, além da evolução dos grandes veículos, durante estas duas décadas de democracia.
Na avaliação de Carolina Matos, que é doutora em jornalismo político pela Universidade de Londres, a imprensa “esta cobrindo a política melhor, de forma mais equilibrada e menos ideológica e histérica, embora ainda ha deficiências, como desequilíbrios provocados pelo preconceito contra grupos menos privilegiados; a necessidade de maior sofisticação e analise das noticias políticas e a sua inserção num contexto internacional”.
Os leitores um pouco mais atentos percebem que os primeiros capítulos do livro, que tratam do início do processo de abertura e democratização do país, colocam o jornal Folha de S.Paulo como um grande agente social neste quadro de mudanças. Carolina diz que chegou a esta conclusão depois da realização de sua pesquisa empírica que, de fato, mostra um tipo de cobertura da Folhamais agressiva que o resto da imprensa à época.
A autora projeta, abertamente, os jornais como o espaço em que, de fato, ocorrerem os grandes debates sobre temas políticos. Indagada sobre o papel, então, desempenhando pelos outros veículos na fomentação da opinião política, Carolina indica que existem boas coberturas por parte da TV e do rádio, por exemplo, mas, por serem meios de grande apelo popular, precisam “nivelar por baixo” para atingir a um público maior, o que acabaria por tirar do assunto a devida profundidade.
Sobre o comportamento da imprensa nas próximas eleições, Carolina faz uma avaliação positiva sublinhando que o amadurecimento da cobertura jornalística no país é mais que evidente. No entanto, deve-se atentar ao fato, indica a autora, que “a cobertura de 2010 não será totalmente isenta porque isso não existe”.





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